O Titanic nos Tempos Da Belle Époque

O Titanic representava um marco do domínio do homem sobre a natureza na era industrial, um símbolo da Belle Époque, da modernidade do século XX. A primeira classe do navio recriava ambientes dos lugares mais chiques da França neste período. O futuro parecia haver finalmente chegado e as invenções tecnológicas ditavam o ritmo de uma nova era. A eletricidade, o telégrafo sem fio, o cinema, a bicicleta, o automóvel e o avião inspiravam o surgimento de um novo mundo.

Neste contexto, o Titanic representava os avanços da ciência e o poder do homem que acabara criando o maior objeto móvel até então construído. Talvez, o navio tenha até representado uma ruptura ideológica antes mesmo da que viria com a Primeira Guerra Mundial, que pôs fim aquela sociedade que por pouco tempo pareceu perfeita.

Diante do grande avanço tecnológico pelo qual passava a burguesia industrial, a Europa dominava o restante do mundo, porém a desigualdade social viria a fazer parte deste processo: De um lado, as grandes elites, do outro, a massa dos trabalhadores insatisfeitos em decorrência das péssimas condições de trabalho a que eram submetidos. Como consequência, surgiram movimentos artísticos e políticos que representaram o sentimento de oposição revelando seus interesses ideológicos por meio de uma verdadeira radicalização no campo da cultura e das artes como um todo. Manifestações artísticas estas, que se materializaram pelo Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Expressionismo e Surrealismo que, posteriormente, deram origem ao Modernismo brasileiro.

Dados esses acontecimentos, o conceito Futurista que surge em 22 de Fevereiro de 1909 por meio do Manifesto Futurista, sob a autoria do italiano Tommaso Marinetti, publicado no jornal Le Figaro, o mesmo ano em que se iniciou a construção do navio. O movimento exaltava a vida moderna, a máquina, a velocidade. Reivindicava uma ruptura com o passado buscando novas formas, assuntos e estilos, que melhor representassem a modernidade.

Assim, os navios idealizados no século XX eram frutos do poder imperial inglês os quais uniam a mais recente tecnologia com a lendária reputação britânica de dominadora dos oceanos. “Suas gigantescas dimensões, a potência de seus motores turbinados, o luxo de suas instalações mostravam ao mundo a grandeza da nação que lhe dominava os mares”, descreveu o autor Sergio Faraco em sua obra “O Crepúsculo da Arrogância”.

Na época, os transatlânticos travavam uma disputa por passageiros, transporte de carga e correspondência entre os continentes. Devido a este último pressuposto a sigla RMS (Royal Mail Ship) é um prefixo usado em navios mercantes britânicos contratados pela Royal Mail, ou seja, o Titanic era oficialmente responsável pela entrega de correio para o serviço postal, no entanto este serviço não tinha relação com a White Star Line, sendo que a companhia recebia pelo serviço de correio pelo governo inglês. Entre os principais quesitos levados em conta na construção das embarcações incluíam rapidez e conforto. No começo de 1900, duas grandes companhias – a Cunard Line a White Star Line – disputavam a supremacia no Atlântico Norte no transporte de passageiros e quem realizava a travessia mais rápida. A Fita Azul do Atlântico era o prêmio outorgado somente aos navios mais rápidos do planeta.

Foi então que em 1902, John Pierpont Morgan, magnata norte-americano, financiou a formação de Internacional Mercantile Marine Company, um transporte náutico pelo Atlântico que absorveu várias das principais linhas americanas e britânicas. Uma das subsidiárias da IMM foi o White Star Line que detinha o RMS Titanic. O proprietário visava dominar o tráfico marítimo do Atlântico Norte e para que Morgan não se apoderasse da Cunard Line, como fez com outras companhias britânicas, a companhia origina a dupla RMS Mauritânia, que pelos vinte e dois anos seguintes seria o transatlântico mais rápido do mundo, e o Lusitânia, os maiores do mundo até então e detentores do prêmio Fita Azul.

Em 30 de Abril de 1907, durante um jantar na mansão de William Pirrie, presidente do estaleiro Harland & Wolff e Joseph Ismay, presidente da White Star Line, propõe a construção de três grandes transatlânticos para concorrer com os vapores da Cunard. Esses navios partilhavam um projeto e um tema em comum: a grandeza. Estes navios explorariam a ligação marítima de passageiros entre o velho mundo e a América.

O Titanic, portanto, nasce num período de grande avanço tecnológico onde grandeza, luxo e conforto eram sinônimo de poder e prestígio para os países que participavam dessa corrida industrial. No entanto, a pressa de querer competir e dominar o mercado marítimo acabou sendo fatal para a White Star Line que teve o destino dois de seus transatlânticos no fundo do mar.

Giu Loffredo

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Giu Loffredo

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