O Naufrágio do Titanic Uma Metáfora Para A Sociedade

12 de março de 2021

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Antes da eclosão de duas guerras mundiais, os avanços tecnológicos alimentavam promessas de um futuro sonhador para a espécie humana. O Titanic representava um desses marcos do domínio do homem sobre a natureza na era industrial.

No entanto, devido ao seu destino trágico, sua história permanece viva no imaginário popular, sendo uma parte dela em decorrência do famoso filme de James Cameron de 1997, mas que são envolvidas somente até as últimas cenas, enquanto outra parte, a dos entusiastas e curiosos, que provavelmente sempre se questionaram como um navio, símbolo da tecnologia no século XX, afundou em sua viagem inaugural ?

Desde que seus destroços foram encontrados em 1985 pela equipe do oceanógrafo Robert Ballard, os pesquisadores ficaram cada vez mais instigados a tentarem compreender o que levou o maior navio do mundo a colidir com o iceberg e afundar naquela noite fria de abril de 1912.

Graças a esse mistério que ainda hoje envolve a tragédia, temos acesso a diversos documentários ou mesmo as produções cinematográficas que revelam uma série de circunstâncias que se combinaram de forma trágica desde os detalhes equivocados previstos na planta do Titanic até a noite do naufrágio.

A partir de análises realizadas no casco submerso, diversos documentos oficiais e relatos dos sobreviventes, tudo indica que o naufrágio poderia ter sido evitado, sendo a principal causa da tragédia, a falha humana. Porém, esta não foi protagonizada por apenas um ou dois indivíduos, mas um conjunto de erros dos quais seus respectivos responsáveis não deram importância às ameaças de segurança. A confiança imposta numa máquina superou a ética daqueles que deveriam ter tido atitudes e não tiveram. 

A questão é que tudo começa muito antes; antes da White Star Line ser completamente absolvida pelo Inquérito Britânico, antes dos vigias estarem despreparados trabalhando sem binóculos, antes de o Capitão Smith ignorar diversos alertas de icebergs, antes da supérflua inspeção que mesmo com um incêndio acontecendo em uma das carvoeiras e com número de botes salva-vidas insuficientes permitiu que a viagem acontecesse, antes de William Pirrie, Thomas Andrews e Alexander Calisle usarem matéria-prima barata para a construção do casco devido à carência de rebites de adequados, dentre essas e diversas outras falhas, tudo começa com a razão pela qual os navios da Classe Olympic foram idealizados: Devido à concorrência entre duas linhas marítimas, a Cunard Line e a White Star Line.

Um artigo publicado em 18 de abril de 1912 no jornal judaico americano Forward, quatro dias depois do naufrágio, resume a angústia do mundo ocidental, às vésperas da Primeira Guerra, diante do avanço do capitalismo industrial. Para o articulista Ab Cahan, a culpa pelo naufrágio ( é do espírito apressado do capitalismo selvagem ), que busca a acumulação desenfreada de riqueza no menor espaço de tempo possível. ( A vida sob o capitalismo emula essa competição ), lamenta o autor, ( Tempo é dinheiro. E dinheiro é tudo. Aparentemente, economizar tempo é mais importante que salvar vidas ). O texto termina com uma reflexão sobre os limites do capitalismo ( O Titanic é um símbolo para toda a humanidade. Somos todos passageiros ).  

O Titanic reuniu muito luxo, porém em contrapartida algumas medidas de segurança. Diante de tanta lei descumprida e avisos ignorados, não é equívoco dizer que o destino do navio era inevitável. Mesmo passados cem anos, é evidente que a arrogância humana continua a mesma. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau ( o ser humano nasce bom, mas a sociedade o corrompe ), essa frase nos leva a crer que o ser humano precisa se adaptar à realidade em que vive para atender às expectativas a fim de alcançar o sucesso, e às vezes seria contra sua verdadeira essência, mas acaba se tornando uma necessidade. As leis podem ser aprimoradas, mas não podem deter aquele sentimento ( indestrutível ) que o ser humano carrega.

Não é à toa que o Titanic frequentemente aparece representado por memes, vídeo e demais representações cômicas para ilustrar diversas situações que ocorrem no Brasil e no mundo. Afinal, quantas catástrofes poderiam ter sido evitadas se o ser humano aceitasse minimamente a possibilidade de dar errado ? Quantas vezes desconsideramos avisos e mais avisos e continuamos tratando uma pandemia como se fosse um ( simples resfriado ) ?

Por fim, em tempos de paz, creio que nenhuma tragédia foi tão enigmática, traumática e tempestuosa para as vítimas e para o mundo como foi o naufrágio do Titanic que mesmo depois de cem anos ainda desperta nosso interesse e curiosidade. Outro século vai passar sem que saibamos toda a história, pois sempre é possível que surja um novo documento, ou depoimento, ou pesquisa com os restos do navio. Isso é só um dos elementos que garantem que o desastre continue sendo tão fascinante.

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